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TUDO PELO SOCIAL
25/06/2009 19:31:51

Cão socializado aprende a interagir com o mundo a sua volta.

Socialização e Habituação

A "socialização" pode ser definida como um processo através do qual um animal aprende como reconhecer e interagir com as espécies com quem convive. Para os cães domesticados, isto deve incluir não só os outros da mesma espécie, como também o ser humano e os gatos.

Ao aprender como interagir com outros, um cão socializado desenvolve formas de comunicação que o capacita a reconhecer e responder às intenções de outros.

"Habituação" pode ser descrita como o processo pelo qual um animal se torna acostumado a determinados estímulos ambientais e aprende a ignorá-los.

Existe um periodo sensível no desenvolvimento do filhote onde a socialização e habituação devem ocorrer, para ser assim apropriadamente estimulado e não crescer mal ajustado. Um cão que não tenha tido uma experiência adequada em termos de estimulação em seu período sensível, será provavelmente um animal mais medroso. Um cão que tenha tido alguma exposição, mesmo que insuficiente, será melhor ajustado, apesar de não totalmente saudável. Um cão que tenha tido uma adequada experiência com estímulos no seu período sensível de crescimento irá crescer "à prova de bomba".

Este período vai da sétima à décima segunda semana de vida do filhote.

Cães que crescem medrosos podem ser submetidos a programas de condicionamento, mas a máxima prevenção é melhor que tentar a cura mais tarde, pois as primeiras semanas de vida serão definitivas para o amadurecimento emocional do animal.

A evidência empírica que mostra a importância crucial da socialização e habituação sistemáticas dos filhotes no seu período crucial de desenvolvimento já era notada há muito tempo atrás.

Konrad Lorenz , já nos idos de 1930, observou o fato de que pássaros recém nascidos de seus ovos poderiam se tornar marcados até mesmo por um fleche de luz, tratando esta luz como sendo a sua mãe.

Significativamente, pássaros que aceitaram Lorenz ou outro pássaro de espécie diferente como sendo um parente, poderiam também reconhecer e aceitar qualquer outro indivíduo. Pássaros são um caso especial pois faz parte de sua evolução adaptativa a vantagem em reconhecer e seguir o seu parente próximo o mais rápido possível após seu nascimento.

Já os cães filhotes nascem cegos, surdos e com relativa imobilidade, assim não são capazes de iniciar seu processo de reconhecimento de espécie ao nascer. Contudo, experimentos conduzidos em universidades americanas e inglesas comprovaram que, filhotes recém-nascidos expostos em alto grau a contatos com seres humanos, por um período de 30 segundos e depois colocados em isolamento, quando recolocados mais tarde em contato humano mostraram-se mais interessados em explorar pessoas do que outro estímulo ambiental. Os filhotes que não foram expostos a contato humano precoce não demonstraram preferências.

Em 1961 Freedman, King e Elliot identificaram a idade de três semanas como o início do período crítico do desenvolvimento do filhote, em termos de interação social e ambiental, bem como o começo de sua capacidade para desenvolver relações sociais. Significativamente, este é o momento onde o filhote se torna mais móvel e pode ouvir bem, com aumento de sua atividade elétrica cerebral.

Tais pesquisadores também descobriram que filhotes expostos a contatos com seres humanos pela primeira vez só na décima quarta semana de vida, nunca desenvolvem uma aproximação positiva.

Em 1968 Scott concluiu, em seus estudos com filhotes criados em isolamento de contato humano até a décima quarta semana de vida, que tais filhotes demonstravam medo e respostas defensivas de forma acentuada, agindo como animais selvagens diante de qualquer estranho.

Filhotes que são separados de sua mãe e irmãos de ninhada antes de 6 semanas de idade, perdem a oportunidade de serem socializados com seus pares de espécie, o que pode resultar em inaptidão para interagir com outros cães mais tarde. Nâo se pode descartar também a importância da predisposição genética, que é o material básico requirido para que um bom temperamento seja alcançado através da socialização/habituação.

Um filhote bem socializado com crianças, por exemplo, até 12 semanas de idade, vai precisar que sua socialização continue até a sua maturidade. O mesmo acontece com o filhote que tenha sido habituado a ouvir sons de trânsito nas primeiras semanas de vida mas que depois tenha sido mantido em local quieto, ambiente rural, por exemplo, até os 6 ou 9 meses de idade. Sem um novo período de exposição e reforçamento constante, o filhote pode se transformar em temeroso diante a ruídos de tráfico ou não tolerar presença de crianças.

Um filhote deve ser exposto a estímulos ambientais da forma mais sistemática possível, para assim se ter maior chance de desenvolver bom temperamento e capacidade de adaptação a qualquer circunstância.

É importante que o filhote conviva com crianças, mulheres, homens e até animais de outras espécies, como os gatos, por exemplo. É claro que se deve pensar na proteção do filhote quanto a estes contatos, respeitando-se condições de higiene e vacinando-o corretamente.

Estímulos ambientais como contatos com televisão, aparelhos de som, bem como aspirador de pó etc, vão ajudar muito o filhote a ser capaz de se ajustar ao mundo onde vai viver.

Referências bibliográficas:

  • Konrad Lorenz, Michael Fox, 1978
  • J.H.Woolpy, 1968
  • Freedman, King and Elliot, 1961




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