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LEISHMANIOSE É COISA SÉRIA
21/05/2009 15:47:42

Avanço da doença põe em cheque o sacrifício em massa de cães como a principal estratégia de controle.

Leishmaniose é uma doença grave e fatal, tanto para o homem quanto para os animais, e é transmitida por um inseto que se contamina ao sugar o sangue de um organismo infectado, seja humano ou animal. 

O cão é o principal reservatório de infecção para o homem, e responsável pela transmissão e distribuição da doença. Estima-se que, para cada caso humano, existem em média 200 cães infectados. Embora seja o maior reservatório, o cão não é o único hospedeiro. Animais silvestres, como a raposa e o cachorro-do-mato, também transmitem a doença.

No Brasil, o hospedeiro intermediário da Leishmaniose é o mosquito conhecido como biriguí, mosquito palha ou mosquito pólvora, que é menor do que o pernilongo comum e não precisa de água parada para o desenvolvimento de suas formas larvárias, dificultando assim o seu controle. O mosquito ataca suas vítimas à noite e se contamina ao sugar o sangue de um animal ou de uma pessoa infectada, passando a transmitir formas infectantes da Leishmania contidas em sua saliva. Durante o dia, o mosquito se abriga dentro das residências ou em matas protegidas. Se esconde em buracos nas paredes, ocos de paus e bambus ou tocas de animais.

Uma vez no organismo, a doença clinicamente pode se manifestar de duas formas:

A Leishmaniose Cutânea, que no Brasil é conhecida como úlcera de Bauru, ganhou esse nome por ter surgido primeiramente em Bauru, uma cidade do interior de São Paulo. Sua incidência é bem menor.

Leishmaniose Visceral dos Cães é a forma mais comum da doença no Brasil e tem como vítimas susceptíveis, além do homem, os cães em sua maior parte, gatos, cavalos e hamsters. Sua incidência tem aumentado de forma bastante preocupante nos últimos anos

Os sintomas da forma visceral, causada pela Leishmania chagasi , uma doença longa e lenta (seu período de incubação pode variar de 2 a 3 semanas ou até 1 ano) são a perda de peso, tosse, febre, diarréia, aumento do volume do baço e fígado e letargia.

Por não surgirem simultaneamente e serem facilmente confundidos com muitas outras condições manifestadas por sintomas semelhantes, o diagnóstico clínico da doença nem sempre é feito precoce e satisfatoriamente. O teste utilizado para identificar esta doença consiste de uma reação alérgica através da inoculação, via intra-dérmica, de uma suspensão fenólica de leptomonas.

Apesar da Leishmaniose Visceral ser previamente conhecida como uma doença rural, grandes surtos e epidemias desta doença têm sido reportados no Brasil recentemente em cidades de médio e grande porte. Muito disso se deve a condições epidemiológicas favoráveis associado a uma redução do espaço ecológico natural desta zoonose.

Surtos recentes da doença nos estados do Maranhão e Piauí (1994) e em cidades do interior do estado de São Paulo, como Araçatuba e São José do Rio Preto (1998 e 1999), têm preocupado pela velocidade com que a doença parece estar reemergindo.

Se os focos da doença não forem rapidamente eliminados, podemos assistir a uma disseminação rápida e preocupante se a cidade de São Paulo for atingida.

CAUSAS PROVÁVEIS DA EXPANSÃO DA LEISHMANIOSE VISCERAL

I- A migração populacional das áreas rurais para os centros urbanos, em geral para locais marginais, subúrbios ou favelas, sem infra-estrutura ou sanitarismo suficiente, favorecendo a disseminação de um parasita introduzido inicialmente devido às precárias condições de vida desta população em seus locais de origem (zonas rurais e sertões).

II- O hábito destas pessoas de manter, em seus quintais, grande número de animais domésticos, como cães, galinhas e cavalos, o que significa farta refeição para os mosquitos transmissores de doenças e um aumento drástico na população de vetores (insetos e roedores) .

III- A invasão do homem em áreas ecológicas, pelo desmatamento e colonização ou mesmo para formação de fazendas, colocando-o em contato direto com novas espécies animais, facilitando o aparecimento de novas doenças, como cólera, dengue hemorrágica e leishmaniose visceral.

IV- O aumento no número de pessoas imunodepressivas, como os portadores do vírus HIV, também contribui para o ressurgimento de doenças sérias, tidas como anteriormente controladas. Pessoas jovens e subnutridas parecem representar um dos fatores de maior risco para infecção por L. chagasi e leishmaniose visceral, especialmente aquelas que vivem sob pobres condições de vida.

COMO PREVENIR A LEISHMANIOSE

O combate ao mosquito transmissor da doença é o melhor caminho, através da aplicação de inseticidas nos locais onde estes se abrigam.

O isolamento das pessoas contaminadas evitando que estas se exponham ao mosquito hospedeiro intermediário que poderá se infectar ao picá-las.

O tratamento, sempre que possível, das vítimas.

Vacinação dos animais soronegativos que vivem nas áreas de risco.

Educação sanitária da população é um caminho necessário. Esclarecimento dos riscos, para a população carente, de contaminação por cães, gatos e cavalos, criados sem critério e vivendo muito intimamente ligados a estas pessoas.

Mecanismos de controle com eficiência técnica para prevenir uma epidemia de leishmaniose visceral e transmissão urbana requer medidas sociais e políticas sérias. Isto deve incluir manutenção de infra-estrutura sanitária satisfatória e melhores condições de vida da população de risco.

Torna-se urgente lutar para manter esta doença dentro das áreas rurais, seu habitat de origem, em níveis baixos e controlados.

O sacrifício dos animais comprovadamente infectados, prática comum adotada pelas autoridades mundiais de saúde, é uma medida extrema e cruel. Anualmente, milhares de cães são sacrificados no mundo inteiro com a justificativa de evitar surtos da doença. Mas existe tratamento para a Leishmaniose, além da vacinação preventiva, feita com 3 doses de vacina Leishmune. Estratégias simples e viáveis, que podem salvar a vida de muitos cães.

ÁREAS ENDÊMICAS MUNDIAIS:

- América Latina

- Portugal, Espanha, França

- Malta, Grécia, Turquia, Israel

- Egito, Líbia, Tunísia, Argélia e Marrocos

Áreas endêmicas no Brasil:

- Belém, São Luis, Terezina, Recife, Fortaleza e interior da Bahia

- Belo Horizonte e Montes Claros (MG)

- Itajaí, Pedra de Guaratiba, Mangaratiba e Santa Cruz (RJ)

- Distrito Federal e cidades satélites

- Araçatuba, Birigui, Andradina e Bauru (interior de São Paulo)

- Suzano, Cotia e Embú das Artes (Grande São Paulo)

Se você mora em São Paulo, vacine seu cão antes que a Leishmaniose se espalhe. Converse com seu veterinário sobre o esquema de vacinação indicado.

Para saber mais sobre a vacina Leishmune, consulte o site www.leishmune.com.br

Proteja a saúde do seu cão e da sua família. Prevenir é sempre a melhor alternativa.

 

Link: http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2012/11/22/matar-cachorro-nao-evita-expansao-da-leishmaniose-dizem-especialistas.htm




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